Minha trajetória até um mestrado de mercado financeiro na Europa

Essa não é uma trajetória em linha reta. É uma história de ajustes, de entender o que o mercado valoriza de verdade, e de ir construindo o caminho enquanto caminhava

Por Julia Martins — 2026-08-12 — 9 min

Oiie! Juli aqui.

Essa não é uma trajetória em linha reta. É uma história de ajustes, de entender o que o mercado valoriza de verdade, e de ir construindo o caminho enquanto caminhava.

Eu cresci sendo a aluna de melhor nota da sala. Não é uma coisa que eu falo com arrogância, é simplesmente o contexto que moldou a forma como eu encarei minhas primeiras decisões. Fui valedictorian no sistema brasileiro, terminei o ensino médio com GPA 3.9, e antes de entrar na faculdade já tinha dois estágios na bagagem, seis meses em marketing e seis meses em contabilidade, feitos ainda como menor aprendiz. Estudei, me dediquei, me preparei.

O problema é que preparação técnica não é o mesmo que clareza de direção. E eu demorei alguns anos para entender essa diferença.

A decisão de sair do Brasil

Quando terminei o ensino médio, sabia que queria estudar fora do Brasil. Não tinha certeza de onde, não tinha certeza do quê, mas sabia que queria uma formação internacional. Foi nesse momento que cheguei à AURA.

A mentoria me ajudou a mapear as opções, entender quais caminhos eram viáveis para o meu perfil e construir um processo de candidatura que fazia sentido. O destino que emergiu desse processo foi a Saint Louis University em Madrid, a SLU, uma universidade americana com campus na Espanha. Para quem estava saindo do Brasil pela primeira vez, pareceu a combinação perfeita: sistema americano, diploma reconhecido internacionalmente, e Madrid como cidade.

Me mudei. Comecei o curso de Marketing. E por um tempo, tudo fez sentido.

A SLU e o que ela me ensinou, inclusive sobre seus próprios limites

A SLU Madrid é uma universidade genuinamente boa para o que ela se propõe a ser. O ambiente é acolhedor, as turmas são pequenas, os professores têm atenção real para os alunos. Eu gostei da experiência humana de estudar lá.

Mas com o tempo fui percebendo algo que ninguém tinha me explicado com clareza antes: um diploma americano emitido em Madrid não abre as mesmas portas que um diploma espanhol. O mercado europeu, e especialmente o mercado espanhol, reconhece e valoriza o sistema local de uma forma que o diploma americano, mesmo sendo de uma instituição respeitada, não consegue replicar da mesma maneira.

Isso não é uma crítica à SLU. É uma realidade do mercado europeu que eu precisava entender para tomar uma decisão melhor. E entendi enquanto ainda havia tempo de mudar.

A troca: de Marketing para ADE e Mercados Financeiros

A decisão de deixar a SLU e entrar no IEB não foi simples, mas foi clara quando ficou evidente. Se eu queria construir uma carreira sólida no mercado europeu, precisava de um diploma que esse mercado reconhecesse de verdade. E se eu ia começar de novo, preferia começar em algo que me desafiasse mais.

Marketing era uma área em que eu me saía bem. Mas bem não é o mesmo que apaixonada. Os estágios que tinha feito antes da faculdade, um em marketing e um em contabilidade, me deram a primeira pista de que o lado dos números me interessava de um jeito diferente. Na contabilidade, tinha uma lógica que eu gostava de seguir. Uma causa e efeito que fazia sentido.

Entrei no IEB no curso de Doble Titulación de ADE com Máster em Bolsa y Mercados Financieros. Quatro anos para sair com um grado oficial da Universidad Rey Juan Carlos de Madrid e um máster em mercados financeiros patrocinado pela Bolsa de Madrid.

Não vou romantizar a transição. Mudar de curso, de universidade e de área ao mesmo tempo, em um país que ainda estava se tornando meu lar, foi um processo que ainda está se consolidando emocionalmente. Tem dias em que a clareza é total. Tem dias em que surgem dúvidas sobre se o caminho está certo. Acho que isso é honesto demais para não dizer.

A vida no IEB e o que foi se construindo

O IEB é diferente de tudo que eu conhecia antes. As turmas são pequenas, os professores são profissionais em ativo no mercado financeiro, e você aprende a usar ferramentas como o Bloomberg desde o começo do curso. A exigência é real, o ritmo é intenso, e a proximidade com o mercado é uma das coisas que mais me surpreendeu.

Fui construindo o perfil que queria dentro da instituição. Mantive a postura acadêmica que sempre tive. E quando chegou o momento de buscar estágio, o mercado de trabalho espanhol estava em expansão, especialmente em setores ligados à transição energética.

Hoje estou estagiando na área comercial de uma empresa que presta serviços para gestoras de energia renovável. É um setor em crescimento acelerado na Espanha, um dos mais dinâmicos do país nesse momento, e trabalhar no lado comercial me dá uma visão de negócio que complementa a formação financeira do IEB de uma forma que não tinha antecipado mas que faz todo sentido agora.

Para onde vai essa história

O plano é terminar a Doble Titulación, concluir o Máster em Bolsa y Mercados Financieros, e seguir construindo carreira na Espanha. O mestrado em mercado financeiro na Europa não era um destino que eu enxergava quando saí do Brasil com dezoito anos indo para a SLU. Foi chegando. Cada decisão levou à próxima, e olhando para trás, consigo ver a lógica do caminho mesmo nas partes em que ele parecia não ter.

Ser valedictorian no ensino médio me ensinou disciplina. Os estágios como menor aprendiz me ensinaram que o mercado real é diferente da teoria. A SLU me ensinou que o ambiente importa tanto quanto o conteúdo. A troca de curso me ensinou que começar de novo não é perder tempo. E o IEB está me ensinando que formação e mercado precisam conversar.

Em nenhum momento eu desisti da meta, eu apenas redirecionei.

Não sei como essa história termina. Sei como ela chegou até aqui.

Se você está no começo de uma trajetória parecida, com vontade de estudar fora mas sem clareza de onde nem como, é exatamente esse mapeamento que a AURA existe para fazer junto com você.

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Com carinho, Juli ✦