Como fazer pesquisa na Europa
Guia completo para estudantes brasileiros
Por Francielle Holtz — 2025-11-06 — 5 min
Muita gente sonha em ter uma experiência de pesquisa fora do país, e a Europa é um dos destinos mais procurados pela diversidade de programas de pós-graduação, pela estrutura de pesquisa de ponta ou pela oferta de bolsas. Mas por onde começar?
Neste guia, compartilho os principais caminhos para quem quer começar a fazer pesquisa na Europa: desde a importância do inglês até onde procurar bolsas, como usar o LinkedIn, mandar cold emails e construir networking. São dicas práticas de alguém que está vivendo isso na pele como pesquisadora na Alemanha.
O inglês como porta de entrada (mesmo em países que falam outra língua)
O inglês é a língua central da ciência: a maioria dos artigos, congressos e projetos de pesquisa acontece neste idioma. Na Europa, mesmo em países onde a língua oficial não é o inglês, ele ainda é o idioma de trabalho na pesquisa.
Isso não significa que você deve ignorar o idioma local. Aprender alemão, francês ou italiano, por exemplo, pode ser fundamental para a integração cultural, para o dia a dia e até para conseguir bolsas de permanência. Mas, quando falamos de trabalhar em pesquisa, o inglês é o que realmente abre portas.
Dica prática:
• Leia artigos científicos em inglês para entender os termos ao máximo.
• Pratique escrever e-mails formais.
• Participe de webinars internacionais: além de treinar o idioma, você já começa a expandir seu networking.
• Faça cursos online em inglês na sua área.
Onde encontrar oportunidades
Existem várias formas de começar a fazer pesquisa na Europa.
Mestrado e doutorado
PhD: em países como Alemanha, Noruega e Holanda, o doutorado já é tratado como uma posição de pesquisador. Em vez de pagar mensalidades, o estudante recebe um salário para desenvolver sua pesquisa.
Estágios de pesquisa (thesis ou internship)
Muitos institutos anunciam vagas com o título BSc Thesis, MSc Thesis ou Internship. Mesmo que você já tenha feito seu TCC, esteja no meio da graduação, tenha concluído o curso ou ainda não tenha iniciado um mestrado, vale ficar de olho: várias dessas posições aceitam estudantes apenas para estágios temporários, muitas vezes com ajuda de custo ou pequenas bolsas.
Bolsas e fellowships
As bolsas podem ser de programas amplos que financiam meses de pesquisa para pesquisadores já, geralmente, já doutorado, como DAAD (Alemanha).
Mas fellowships específicas por área, muitas vezes oferecidas por fundações ou redes internacionais, aceitam mais alunos de graduação e mestrado. Exemplo: o POGO Partnership For the Global Ocean para ciências marinhas, que apoia treinamento e cooperação global entre pesquisadores com foco em países do sul global, como Brasil.
LinkedIn: sua vitrine acadêmica
A forma mais rápida e fácil de fazer networking atualmente é pelo LinkedIn, que não é mais apenas um currículo online. Hoje, ele é ferramenta crucial, e é um dos primeiros passos para contato com grupos de pesquisa.
O que funciona no LinkedIn:
• Postar regularmente sobre seus interesses acadêmicos, artigos que leu, conferências que participou ou pequenos avanços do seu trabalho.
• Conectar-se com professores, colegas e pesquisadores da sua área e universidade de interesse.
• Curtir, comentar e interagir: isso "treina o algoritmo" e faz seu feed trazer conteúdos mais relevantes da sua área.